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Apanha do Moliço

    A colheita do moliço era praticada desde Ovar a Mira, nos logradouros públicos de Esmoriz, Ovar, Torreira, Bunheiro, Pardelhas, Pardilhó, S. Jacinto, Aveiro, Ílhavo e Areão, e também, nas praias particulares e nos viveiros das marinhas de sal, mediante autorização contratada.

    Na época que ia de Março a Setembro, e sobretudo no Bico (Murtosa), na ribeira da Aldeia (Pardilhó) e nas ribeiras do Martinho, Gago e Mancão (Bunheiro), podia assistir-se à descarga e comercialização de moliço.

    O moliço era colhido com maior frequência na Marinha de Mós, Areia Branca, Cepo, Mangil, Testada, Monte Farinha e algumas ilhotas, realizando-se a colheita nos sítios de maior profundidade da seguinte forma: primeiramente os moliceiros tomavam barlavento; a certa distância, e com andamento reduzido, colocavam então os ancinhos de arrastar nos bordos do barco; durante o percurso os "encinhos" (como lhe chamam) eram retirados alternadamente sempre que os sintiam carregados para depositar nas cavernas a respectiva "encinhada" ou seja a porção de moliço colhido, e tornavam a colocá-los nos seus lugares. 

Atingido o limite do local determinado para a colheita, suspendiam-na, voltam a tomar barlavento (lado de onde soprava o vento) e colocavam de novo os ancinhos. Esta operação ia-se repetindo até completar o carregamento do barco, dando-se o nome de maré de moliço a cada carregamento completo. Para verificarem se a embarcação já está suficientemente carregada, normalmente utilizavam como marca o nível da água junto à fêmea inferior à ré.

Pelo contrário, nos pontos onde a profundidade é menor, a colheita praticava-se com a matola, ou então a pé, como nas praias e nos viveiros, sendo que neste último caso a água chegava a atingir frequentemente a altura do peito. Na Bestida, terminavam uma boa maré com uma “queijada”, elevação de moliço junto ao mastro e com dois ou três “cavalões”, montes ondulados à ré, que enfeitam mais a maré.
 
Eram vários os factores a que se tinha de atender para uma boa faina: os ventos, as marés, consequentemente a altura das águas, a corrente, o estado de amadurecimento das algas e os locais escolhidos para a colheita.

Completada a barcada, chegava a hora da descarga, que se efectuava com ligeiras diferenças, consoante as características do local, e consequentemente da morfologia das margens.
    Sempre que o moliço se destinasse a aplicação em verde, após a apanha, o que acontecia nos terrenos marginais ou próximos deles, os carros de bois iam junto dos barcos, na Ria, para o receber e conduzir imediatamente; outras vezes descarregavam-no em filas sucessivas de pequenos montes, nas mofas, que eram cais de reduzida extensão.

   Se, pelo contrário, fosse aplicado em seco, como sucedia nos terrenos arenosos do Sul, locais por vezes muito afastados do sítio onde era colhido, era então descarregado e estendido em terrenos ligeiramente inclinados, a que se dava o nome de malhadas, para lhe ser extraída a percentagem de água, entre 60 a 82%, que representa uma sobrecarga inútil.

    Durante anos o moliço foi usado como fertilizante dos campos ribeirinhos, transformando grandes extensões de areia em terrenos agrícolas muito férteis.



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