MILHARES VIRAM A RECRIAÇÃO DA XÁVEGA COM JUNTAS DE BOIS NA PRAIA DA TORREIRA
Foram milhares, aqueles que, na manhã do passado domingo, dia 22 de Setembro, encheram o areal da praia da Torreira, no Concelho da Murtosa, para assistirem à recriação da Xávega com juntas de bois marinhões.
A iniciativa, promovida pela Câmara Municipal da Murtosa, em conjunto com associações locais e com a comunidade piscatória da Torreira, relembrou uma atividade que, até ao final do século XX, foi levada a cabo na praia da Torreira, um dos últimos locais onde se praticou a xávega com bois.
As tarefas da recriação foram feitas à semelhança daquilo que era habitual em meados do século passado, com aparelhos e métodos de trabalho, similares ao da época, incluindo o modo de vestir dos intervenientes.
O sucesso alcançado pela iniciativa deve-se, sobretudo, ao empenho da comunidade piscatória da Torreira, em particular da companha “Olá S. Paio” e de um conjunto de homens e mulheres que, outrora, viveram intensamente esta arte e que, de forma absolutamente gratuita, se disponibilizaram a partilhar o seu conhecimento, gerando um momento único
O grande impacto alcançado pela recriação revela que a aposta na valorização da identidade de um povo e de um território são geradores de atractividade e, por consequência, de retorno económico para o comércio local.
Pretende-se com estas iniciativas gerar atractividade no território, num período em que a procura é menos intensa, pois, o desafio que se coloca está na capacidade que instituições e particulares, em conjunto, possam ter para quebrar a sazonalidade da procura a que territórios como o da Murtosa e, em muito particular a Torreira, estão sujeitos, tendo em conta a sua vocação balnear.
A recriação da Xávega com bois marinhões deu continuidade ao ciclo de recriações de artes de pesca tradicionais, iniciada no passado mês de junho com a recriação do chinchorro com “lanços para a borda”, na Praia do Monte Branco.
Depois, em 2011 e 2012, terem recriado duas culturas marcantes da terra marinhoa – o milho e o linho, respetivamente – exaltando a atividade agrícola e o elemento TERRA, o Rancho Folclórico “As Andorinhas de S. Silvestre”, o Rancho Folclórico “Os Camponeses da Beira-Ria”, a Confraria Gastronómica “O Moliceiro”, a Associação Desportiva e Recreativa das Quintas e o Núcleo da Murtosa da Fraternidade de Nuno Álvares, em conjunto com elementos da comunidade piscatória local e com o apoio da Câmara Municipal da Murtosa e da Região de Aveiro, voltaram a juntar-se para focar, desta feita, o elemento ÁGUA, através da recriação de artes de pesca tradicionais, tal como se processavam no passado, recuperando e valorizando a memória das gentes da beira-ria e da beira-mar.
As recriações foram registadas em vídeo e em fotografia, com vista à produção de um livro e de um vídeo, que registem, para memória futura, estes momentos e possam ser usados como material educativo, nas escolas, no sentido de dar a conhecer às novas gerações estes aspectos marcantes da cultura marinhoa.