CICLO “ARTE MARINHOA” MOSTRA TRABALHOS DE ARTESÃOS MURTOSEIROS NA COMUR-MUSEU MUNICIPAL DA MURTOSA
A COMUR-Museu Municipal da Murtosa vai acolher, de 12 de março a 5 de abril, a primeira exposição do ciclo “Arte Marinhoa” que mostrará trabalhos dos artesãos Murtoseiros João Agostinho da Silva, Ana Luísa Pereira e José Caneira.
O ciclo de exposições “Arte Marinhoa”, que terá lugar ao longo do ano de 2017, pretende valorizar e dar a conhecer a diversidade criativa dos artesãos Murtoseiros, através de mostras coletivas, que juntam, no mesmo espaço, três criadores com trabalhos e técnicas distintas.
Nesta primeira mostra, que será inaugurada no dia 12 de março, domingo, pelas 16H00, serão expostas as miniaturas de embarcações tradicionais de João Agostinho da Silva, os bordados de Ana Luísa Pereira e as miniaturas em madeira de José Caneira. A entrada é livre.
OS ARTESÃOS
JOÃO AGOSTINHO DA SILVA
João Agostinho da Silva nasceu em 1935, no lugar do Ribeiro, Freguesia e Concelho da Murtosa.
Concluído o ensino primário, porque a pesca, arte e ganha pão dos seus antecessores, não o atraía, emigrou, com apenas 15 anos, para os Estados Unidos da América, em 1950. Regressou a Portugal em 1975, fixando residência no Canto do Ourego, na Freguesia do Monte.
A sua paixão pelas miniaturas nasce, quando, um dia, de visita a um vizinho, descobre que este, então já com 86 anos, se dedica à construção de pequenas embarcações tradicionais. Depois de observar a técnica do artesão idoso, pede restos de madeira a um carpinteiro e, de volta a casa, constrói o seu primeiro moliceiro em miniatura, o mesmo que, mostrado na FARAV, pouco tempo depois, alcança o primeiro prémio como melhor peça de artesanato.
Foi assim que, em 1985, começa a dedicar-se à construção de miniaturas de embarcações tradicionais da Ria de Aveiro e de outras regiões do País. Estudioso interessado, procura nos documentos antigos todos os detalhes, para que as pequenas obras de arte repliquem fielmente as originais.
Ao longo dos anos construiu todo o tipo de embarcações: de moliceiros e mercanteis a mercantelas e xávegas, passando por fragatas, traineiras e arrastões. Participou já em inúmeras exposições, tendo arrebatado uma série de primeiros lugares e louvores em concursos.
ANA LUÍSA PEREIRA
Ana Luísa Pereira nasceu na Murtosa no dia 14 de julho de 1925.
Após a conclusão da instrução primária – 4ª. Classe com distinção – começou a ocupar-se da lida da casa, sendo entretanto chamada a fazer outros serviços, como a monda e apanha do arroz, em Salreu e Canelas, o transporte de lenha, em molhos, à cabeça, desde o Canedo (designação dada aos pinhais em Veiros, Pardilhó, Estarreja e Avanca) ou a venda de peixe, de canastra à cabeça, em Cacia, acompanhando a sua mãe. Ao mesmo tempo foi aprendendo a costurar com uma tia e a fazer renda.
Aos 20 anos e por influência de outra tia, foi aprender a bordar à máquina com uma senhora que morava no Monte, para onde se deslocava a pé, diariamente, na companhia duma amiga que arrastou com ela. Aqui ganhou gosto pelos bordados à máquina, atividade que viria a exercer como profissão até cerca dos 80 anos de idade.
Grande parte dos seus trabalhos foi para o estrangeiro, especialmente para os Estados Unidos da América. Em paralelo com os bordados à máquina executava também bordados à mão, rendas e malhas.
Como ocupação dos seus tempos livres, continua a dedicar-se à execução de pequenos trabalhos, bordados à mão, destinados especialmente a vendas para obras de solidariedade.
JOSÉ CANEIRA
José Joaquim da Silva Caneira nasceu em Pardelhas, Freguesia da Murtosa, no dia 17 de outubro de 1957.
Dedicou-se, desde muito jovem, à profissão de pedreiro e pintor, que ainda exerce atualmente.
Em criança observava, com curiosidade, o seu pai, que era artesão, executar miniaturas de embarcações tradicionais. Quando o pai, por motivos de saúde, deixou essa atividade, José Caneira pegou nos moldes usados por ele e decidiu experimentar, construindo a sua primeira miniatura, há cerca de 30 anos atrás. Desde então, nunca mais parou.
Para além das embarcações tradicionais, o artesão dedica-se à construção de miniaturas de objetos e utensílios intimamente ligados às vivências do povo marinhão, como arados, charruas, carros de vacas e cangas, entre outros.
Orgulha-se de ter obras suas espalhadas por várias paragens: Espanha, Estados Unidos e até China.
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